Ana Baldaia, em Londres e Bárbara Baldaia, em Lisboa



Shhh...

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... não digam a ninguém que eu ando aqui a fazer experiências...


Insubmissa

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A outra catraia de Londres foi atrás do caril e por aqui é mais torresmos. Esta casa já não faz jus ao nome, mas ainda não decidi o que hei-de fazer com ela.
Por enquanto, arrendaram-me um quarto no Insubmisso. Os proprietários (que quase me obrigaram a arrendar o dito quarto) são pessoas de bem e acolheram-me com muito afecto e carinho.

http://oinsubmisso.blogspot.com


Até já.


Bom ano

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Entramos no deserto de manha cedo
o dia nascia incerto e inconsciente da data
havia passaros na varanda do quarto e um sorriso na minha barriga incontestavel
fazia frio na entrada do vento das janelas recortadas nas paredes milenares
da haveli antiga onde tenho dormido
o sari amarelo na janela ondulava e os raios de sol escapavam junto aos meus pes
trazendo os ecos das gargalhadas travessas das criancas na rua...

Deixando as vacas nas ruas intercaladas pelos namastes continuos dos vendedores
montamos os camelos e entramos no Thar a caminho do Paquistao
Viajamos ate as coxas doerem
e paramos para cozinhar do nada...
E incrivel a quantidade e o peso das coisas que um camelo pode carregar
E a velocidade que um camelo pode tomar
E mais incrivel a capacidade de cozinhar dos nossos guias
no meio do deserto a partir do nada...

Estendemos carpetes tecidas pelas mulheres nos atrios das casas
remendadas com especial cuidado e adornadas com espelhinhos
e apos comermos dhal e chapati com areia
adormecemos ao sol que ardia no profundo silencio do deserto
perturbado somente pelo tilintar dos guizos nos pescocos dos camelos

Ao acordar prosseguimos ate a mais alta duna
e ai nos sentamos para ver cair o ultimo sol do ano.

Que riso....
Esperava-se uma meditacao
mas claro havia sempre um indiano
tentando vender o mais inesperado produto
cerveja, batata frita, chai, madame happy new year
you want? madame?

postas de lado as expectativas
e sem querer comparar o thar ao majestoso sahara
la nos ficamos pela cerveja
o riso
e a flauta do menino de seis anos de pe descalco
que acompanhou a meia noite e ganhou 20 rupias (10 centimos)

de regresso a minha haveli (Casa antiga sagrada)
sinto-me muito em casa
estou francamente feliz de aqui estar
e muito muito apaixonada por este pais de gente linda
gente simpatica, calma, e muito generosa...

quem dera que as gentes do mundo tomassem como modelo
o espirito nobre da cultura indiana, pois esta gente tem muito para nos ensinar.


Jaisalmer 2006
AB


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O meu ano começou bem. Ao olhar para o céu, um biscoito luminoso caiu-me em cima e escorregou-me docemente pelas costas abaixo. Muito zen.


O carro

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Do que eu gostava mesmo era de partir daqui a pouco para Dakar. Há um bocadinho do carro que me corre no sangue que ainda está por explorar. E cada vez tenho mais vontade disso. Sempre que estou como pendura do Dreamkeeper recupero um pouco da serenidade necessária dentro do carro. Boca fechada, buzina desligada. A perfeita noção das dimensões da máquina, do espaço e do tempo. O pensamento premeditado. O cálculo exacto. A ferocidade sem violência, mas com subtileza. O reflexo imediato. O carro como extensão do corpo.
O Dreamkeeper, ex-piloto de rally, é o melhor condutor que conheço.

"Disfruta, filhinha"

"A vida dele encaixou-se na personalidade. A personalidade dele é o carro".
Berta Cabral, mãe do piloto Carlos Sousa


Oráculo de Bellini

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A dica da semana que me deixam de sete em sete dias na caixa do correio - nem sempre leio, mas às vezes dá jeito saber a quanto estão as california prunes ou os espargos inteiros do lidl - traz sempre o fantástico oráculo de belline, pelo fantástico Miguel de Sousa "O Vidente das Estrelas", que oferece um fantástico mapa astral, agora em promoção especial. Esta semana, a coisa assume um grau de relevância acima da média: Previsões Astrológicas para 2006. Ah pois!
Então reza o oráculo para os nativos de carneiro (eu!), mesmo ali ao lado do kit de extensão para TV (montagem fácil) a 19,99 euros (com 20% de desconto - custava 24,99):

O amor será uma constante e poderá mesmo tomar conta da sua vida. No entanto, mantenha-se atento, pois ao longo do ano nem tudo serão rosas. Algumas contrariedades pdoerão provocar-lhe dilemas interiores. Tanto poderá criar um excesso de carência afectiva como viver paixões de grande intensidade. Deixe no passado os comportamentos derrotistas e negativos. O ano que se avizinha é um momento propício para o início de relacionamentos sólidos. Uma coisa é certa: em 2006 nada ficará como antes.


Nativos de carneiro, considerem-se avisados!
Um grande ano para todos!


Deve ser da hora

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Algures, onde devia ter lido
"List referrers to your own site"
li
"List referrers to your own smile".

Boa noite.


Massa, cacau, guito, pasta

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Ando atrás de 12,5 milhões de euros. Não são para mim, mas para o texto que tenho que escrever para amanhã. Onde é que pára esse dinheiro? Ah? Estou farta de brincar às escondidas. Assume-te, guito!


what karma?

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Há por esses blogs fora, muito boa gente a fazer o balanço de um ano triste. Triste como foi o meu, no fundo, apesar de eu ser uma mulher feliz, mas com a quantidade de filhos-da-puta que se me atravessaram pelo caminho, não há felicidade nem mulher que aguente. Depois dos (des)amores habituais de novembro (de há uns anos para cá, há um karma que me persegue em novembro), acabo o ano tranquila, de cabeça limpa e perna dura de tanta caminhada no deserto. E faço votos para 2006. Amar perdidamente. Ter homem, sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente. (sim, eu sei, disse-o no meio de uma francesinha, na véspera de natal, com o rio douro como testemunha, and so what?) Com o espírito optimista mais apurado que nunca. Foda-se, o próximo ano há-de ser melhor, seguramente.


Marido pavão

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deixamos ontem pushkar com a sagrada tristeza que os lugares sagrados deixam no coracao.
deixamos o lago e os crentes
os papagaios no ar, os macacos nos telhados
o sorriso dos vendedores
o estorvo das vacas
e, de sleeper bus, deitadas na cabine superior
aos saltos chegamos apos 14 horas
a jaisalmer
cidade porta do deserto Thar
na fronteira com o paquistao.
A cidade agressiva e crua
com mais de seculos de existencia
preenche os olhos de dourado das havelis
construidas da areia.
De turbante na cabeca o velho canta pia pia
a historia do pavao que se transforma no marido.
O cheiro a bosta de camelo
sossega
e eu adormeco no sol da varanda do quarto.
na praca os meninos malabaristas
enfiam-se em argolas e caminham sobre paus
atravessando a corda
sem rede.
Olhos agressivos e defensivos
todos nos querem tocar, ver, falar
e claro vender!!!
A Jacqui entretanto adoeceu
com as caracteristicas febres e diarreias
esperado inevitavel
a minha vez tambem vira.

India! India dificil!
India independente, sofrida e doente.
India.

AB


Pushkar christmas day

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It's dark and quiet. People are tired. Turism is the main survivor.
Sento-me no fogo com os velhos, os empregados, os big boss.
Good life madame, good life. you long time india, very good.
we working working, 24 hours
no money travelling
me - o velho dizia- me only walking
all india walking
on month Ladakh - o velho dizia - Hymalaia.
Your country?
-Portugal- digo eu.
-Portugal, Portugal - o velho repetia.
How many hours you working?
8 hours? good life. good life.

Your mama, papa, Portugal?
-yes, yes Portugal- respondia.
Good. o velho repetia. Family is good.

You second time India? You like India?
I love India- eu dizia.

Full power. - o velho sorria, e dizia no seu ingliano.
India is full power.

O fogo ardia. A noite surgia.
\E o silencio reinou. Na apatia.

AB


Natal com Sally

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Noite de 25 em Lisboa. Pela primeira vez na vida. Revejo "the nightmare before christmas" à noite, quando já estou sozinha. Nesta altura, sempre o pesadelo mais bonito da história do cinema. Ontem, mais uma vez. Mas adormeço. À espera de me encontrar logo com a noiva cadáver. Ou talvez dentro do sonho. E apaixonar-me de novo. Como Sally. Louca por Jack.


Fascinating India

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A catraia de londres foi-se para as indias em
busca da liberdade e do caril.



Ainda nao me cansam
os aeroportos.
Ha sempre continuas coisas para ver
a minha volta.
Ver
da-me tanto prazer
da-me quase
a felicidade de estar viva.

Olho todos os destinos no televisor em busca do numero do meu check in
e alegra-me nao haver um so destino que eu preferisse.
\Vou exactamente para onde quero.Ir.

Delhi.India.

Carrego tao pouco ou quase nada que nem sequer passo bagagem no check in.
Trago uma mochila tao pequena como as das criancas a caminho da escola primaria.
O caderno. A caneta. Nada mais.

E depois atrevo-me a chegar.
Nao e necessario muito tempo para que uma explosao de palavras ruja de dentro de mim.

Quero lembrar e registar todos os sons, tudo o que vejo, e este cheiro a queimado do nevoeiro matinal.
O incenso esvai-se e eu penetro intensamente no coracao da India.

Ha ao meu redor tanto movimento e caos
tanta pobreza e tanta vida
que na minha essencia um macaco calado e atento
se condimenta.

E logo fico suspeita.
Suspeita daquilo que somos
da forma como nos tocamos
do pouco que sabemos das formas.

O meu corpo sujo e cansado
esquece-se
e eu bebo muito chai
xantiiiiiiiiiiiiiiiiii.
Cheiro ao fumo das fogueiras na noite
e fico escura com as bostas dos lagos
ainda assim sagrados
e adorados

envolve-me um sari
na testa um bidi
na mente o silencio
no coracao a paz.

simples. muito simples.

It's unbelievable how one of the most overpopulated countries in the world can be so peacefull, so free.
Independent India.
And how fascinating!

hoje vi um macaco, um gato, um cao, um rato, uma aranha, uma barata, um burro, uma vaca, um vitelo, um porco, um papagaio, um camelo, milhares de mosquitos e milhoes de pessoas no espaco de uma hora.
E ah! Um elefante. Claro.
Haja alegria.

AB


As palavras custam a sair

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As palavras perseguem-me desde sempre. Inventava uma escrita encriptada (vulgo gatafunhos) antes de saber fazer letras e juntá-las em palavras. Enchia páginas em branco quando aprendi a fazê-lo só pelo simples prazer de desenhar palavras. Comecei a sorver livros como se fossem batidos de morangos (sempre adorei morangos) quando aprendi a ler palavras. Hoje, trabalho com palavras, tenho que as escolher cuidadosamente antes de irem para a gráfica, como se estivesse a escolher amoras antes de as arrancar da amoreira (depois as mãos ficam todas pretas e a roupa com nódoas que não saem nem com skip, mas sabe tão bem, tão bem, tão bem). Sou perseguida por palavras mesmo quando não há palavras (“como é que eu te digo isto?”). Sou perseguida por palavras quando estou alegre, quando estou triste, quando estou feliz, quando estou chorosa, quando estou fascinada, quando estou deprimida, quando estou emocionada, quando estou arrependida, quando estou carente, quando estou forte, quando acordo, quando me deito, quando respiro, quando transpiro, quando amo, quando odeio, quando quero, quando não quero. Quando digo e quando não digo. Quando escrevo e quando não escrevo. Mesmo assim sou perseguida por palavras. Posso estar um bocadinho farta, não?


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